domingo, 10 de agosto de 2008

Boca-de-urna aponta permanência de Evo Morales na Presidência da Bolívia

O presidente Evo Morales foi ratificado no referendo sobre mandatos realizado neste domingo na Bolívia, segundo as enquetes divulgadas pela imprensa, que apontam o líder com um apoio de entre 56,7% e 60,1%. As pesquisas mostram também que três governadores tiveram seus mandatos revogados neste domingo. Confirmados estes resultados, Morales teria obtido, depois de dois anos e meio de gestão, um apoio superior ao que alcançou nas eleições presidenciais de 2005, quando foi eleito com 53,7% dos votos. O presidente boliviano precisa de 46,3% dos votos para se manter no cargo. A pesquisa feita pelo canal ATB ratifica Morales com 56,7% dos votos a favor, a enquete da rede PAT aponta um respaldo de 60%, e dados recolhidos pela TV Unitel refletem que o líder obteve 60,1% de votos a favor
A enquete da PAT mostra que o "sim" para Morales e o vice-presidente, Álvaro García Linera, foi majoritário em cinco departamentos (Estados): Potosí (81%) e Oruro (83%), ambos controlados por governistas, e em La Paz (79%), Cochabamba (72%) e Pando (57%), governados pela oposição. Os departamentos que votaram pela revogação de Evo Morales foram Santa Cruz onde 70% dos eleitores votaram contra, Beni (78%), Tarija (62%) e Chuquisaca (61%). Estes quatro departamentos são comandados por governadores também opositores a Morales. Os resultados oficiais e definitivos do referendo revogatório não serão divulgados em menos de sete dias, segundo informou a Corte Nacional Eleitoral (CNE), embora ainda esta noite possam ser tornados públicos dados parciais. Os bolivianos foram às urnas para decidir, em um referendo inédito no país, a continuidade ou a revogação do presidente Morales, do vice-presidente e de oito dos nove governadores departamentais. Governadores Os governadores opositores dos departamentos de La Paz, José Luis Paredes, e de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, além do governista de Oruro, Alberto Aguilar, foram revogados no referendo, segundo as pesquisas. Os números das redes de TV ATB e PAT afirmam que Paredes foi revogado com uma porcentagem entre 55% e 60%, enquanto Reyes Villa com entre 56,7% e 60%. Contra o governador regional pró-Morales Alberto Aguilar teriam votado entre 56% e 58% dos eleitores, informou a imprensa. Segundo esses dois boletins, foram ratificados em seus cargos o governador opositor de Santa Cruz, Rubén Costas, com um respaldo de entre 71,2% e 79%, e seu aliado em Beni, Ernesto Suárez, com um apoio de entre 67,5% e 72%. Além disso, o governador de Tarija, Mario Cossío, também opositor, teria conseguido um apoio de cerca de 65%, e o de Pando, Leopoldo Fernández, de oposição a Morales, sairia ratificado com votos favoráveis próximos a 60%. Segundo as pesquisas, o líder regional governista de Potosí, Mario Virreira, teria conseguido um apoio de entre 75,6% e 77%. ,
"Sucesso"
Mais cedo, Morales havia qualificado o referendo como um "sucesso". Ele também elogiou o comportamento dos cidadãos. Apenas incidentes isolados foram registrados ao longo do dia. Nas próximas horas, Morales deve se reunir com seus ministros em La Paz para avaliar os resultados de acordo com pesquisas de boca de urna. A votação foi concluída por volta de 16h na hora local (17h no horário de Brasília). A exceção é a localidade amazônica de Yucumo, no departamento de Beni, onde o pleito continuará até a noite porque começou mais tarde, informaram fontes da CNE (Corte Nacional Eleitoral). A CNE divulgará os resultados oficiais e definitivos do referendo dentro de sete ou dez dias, embora ainda esta noite já possam ser apresentados alguns dados parciais. O órgão instalou 22 mil mesas eleitorais em todo o país e designou 132 mil cidadãos como juízes e cinco mil como mesários. Cerca de 300 observadores internacionais da OEA (Organização dos Estados Americanos) e Mercosul acompanharam o referendo. Em um sindicato na cidade de Cochabamba, Morales disse estar surpreendido com a "participação democrática do povo boliviano" depois que, segundo ele, houve alguns que tentaram "semear conflito". "Foi visto um sentimento do povo boliviano rumo à democracia e um sentimento de aprofundar este processo de mudança. A partir deste momento o voto do povo boliviano não é somente para escolher, mas também para revogar as autoridades ", declarou Morales.

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