domingo, 10 de agosto de 2008

Após conflito na Ossétia do Sul, tropas da Geórgia deixam o Iraque

O Exército dos Estados Unidos começou neste domingo (10) a transportar 2.000 soldados da Geórgia do Iraque, depois que os georgeanos pediram o retorno das tropas em razão dos conflitos com a Rússia na Ossétia do Sul. Entenda as causas do conflito.
A Geórgia era o terceiro maior fornecedor de soldados para a coalização no Iraque, depois de Estados Unidos e Reino Unido --a maior parte do contingente georgiano ficava em Camp Delta, em Kut, a 160 km ao sul de Bagdá.
Os Estados Unidos afirmam a saída das tropas da Geórgia pode gerar "algum impacto" no curto-prazo, mas descartaram problemas para a segurança no Iraque no futuro. "Nós queremos agradecer a eles por esse ótimo apóio que eles deram para a coalizão e nós desejamos sorte a eles", afirmou o porta-voz Patrick Driscoll.
O Ministério de Assuntos Exteriores da Geórgia entregou neste domingo à Embaixada da Rússia uma nota na qual anuncia o fim, a partir de hoje, das operações militares, mas Moscou não está convencido disso e afirma que essas prosseguem na região.
"A Geórgia está disposta a iniciar imediatamente negociações com a Federação da Rússia sobre o cessar-fogo e o fim das operações militares", indica o documento. Quase que imediatamente a diplomacia russa negou o ter recebido o documento "por canais oficiais". Bombardeios
Tropas da Rússia tomaram a maior parte da capital da Ossétia do Sul hoje. O país intensificou seu bombardeio contra as regiões separatistas e navios de guerra impuseram um bloqueio naval para impedir a entrada de armas e de outros meios militares na Geórgia durante o conflito.
A situação parece repetir a proposta de cessar-fogo imediato feita ontem por Saakashvili várias vezes e sobre a qual repercutiram todos os canais de televisão e agências locais e internacionais, mas que nem a presidência nem os Ministérios de Exteriores e da Defesa da Rússia chegaram a receber 'por canais oficiais'.
Retorno
Na manhã deste domingo, as tropas georgianas abandonaram Tskhinvali, a capital da Ossétia do Sul --que tinham conquistado e retido durante mais de um dia--, frente aos ataques de forças russas.
Segundo fontes oficiais da Geórgia, aviões russos bombardearam nesta madrugada um aeroporto militar da fábrica de aviação, situada na capital georgiana, sem que deixasse vítimas. É a primeira vez que a aviação russa ataca Tbilisi.
O porta-voz do Ministério do Interior, Shota Utiashvili, afirmou que nos ataques não foram registradas vítimas, embora o aeroporto tenha sofrido graves danos.
Mas a Rússia negou ter bombardeado o aeroporto, segundo a agência Interfax, citando o ministério russo da Defesa. "Trata-se de mais uma desinformação divulgada pela Geórgia para enganar a comunidade internacional sobre os acontecimentos em curso na Ossétia do Sul", disse um funcionário do ministério da Defesa russo. O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, declarou em discurso na televisão que a própria existência da Geórgia está ameaçada pelo conflito com a Rússia. "Todos estes bombardeios estão destinados a provocar o pânico", acrescentou.
Ataques
"Durante a noite, a Rússia transferiu [para a Ossétia do Sul] dezenas de carros de combate, artilharia e até foguetes táticos, e grande quantidade de infantaria", afirmou o chefe do Conselho de Segurança da Geórgia, Alexander Lomaia,. Enquanto isso, a aviação russa bombardeava as posições georgianas na capital. Em uma mostra de alastro do conflito, o líder da Abkhazia, outra região separatista da Geórgia, disse neste domingo ter ordenado que mil soldados expulsassem forças georgeanas de seu território e convocou reservistas. Para aproveitar a situação, as tropas da Abkházia, apoiadas por terra, céu e mar pelas forças russas, tentam conquistar o desfiladeiro de Kodori, uma área habitada por georgianos que ocupa 15% do território da região. O governo da Geórgia rapidamente denunciou uma "nova agressão" preparada por Moscou na Abkhazia. Na outra fronteira comum, ao longo do rio Inguri, as tropas da Abkházia entraram na área de segurança, controlada pelos capacetes azuis russos.
ONU
O Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje, pela quarta vez em três dias, em Nova York, para discutir a crise russo-georgiana. Por falta de consenso, o Conselho de Segurança não conseguiu emitir uma declaração conjunta pelo cessar-fogo na Geórgia neste sábado e alertou sobre a extensão do conflito para fora da região separatista da Ossétia do Sul. "Infelizmente, minha conclusão é que será muito difícil, se não impossível, encontrar pontos de coincidência suficientes para elaborar uma declaração conjunta", explicou após a reunião o embaixador belga Jan Grauls, que ocupa a Presidência rotativa do Conselho de Segurança. Considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa, a Ossétia do Sul autoproclamou independência da Geórgia em 1992, após a queda da União Soviética. O território conta com o apoio de Moscou para a separação --inclusive por abrigar muitos cidadãos russos--, mas a Geórgia não reconhece a independência.

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