segunda-feira, 21 de abril de 2008

Ministério: biodiesel brasileiro não afeta produção de alimentos

Jeferson RibeiroDireto de Brasília A maior parte do biodiesel produzido no Brasil utiliza o óleo de soja como matéria-prima - produto que não é usado como alimento. Esta é a justificativa usada pelo coordenador do Programa Nacional de Produção de Biodiesel no âmbito do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Arnoldo Campos, para explicar que o biocombustível do País não influencia a produção ou o abastecimento de alimentos. Durante essa semana, a polêmica em torno da produção de biocombustíveis e sua conseqüência sobre o preço e a produção de alimentos foi ampliada depois que o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU), Jean Ziegler, disse que os programas de biocombustíveis, em especial o brasileiro, representavam "um crime contra a humanidade". Contrariado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse que o preço das commodities alimentares estava em elevação não por culpa dos biocombustíveis, mas pelo preço do petróleo. Lula descartou veementemente ainda que o programa brasileiro para o setor represente um risco para a segurança alimentar. O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e a Embrapa estimam que cerca de 70% do biodiesel brasileiro seja proveniente do óleo soja. O restante da produção está baseada em sebo bovino, mamona, dendê, girassol e outras plantas oleaginosas. Arnoldo Campos, explica que no processo de trituração para obter farelo de soja, cerca de 20% do grão se transforma em óleo. Ele diz que este produto, que depois vira óleo de cozinha, tem consumo bem menor do que a produção. Esse excedente está sendo usado para produzir biodiesel. Campos diz que por ser obtido a partir do óleo de cozinha, o biodiesel brasileiro não compete com o fornecimento de alimentos. Em sua avaliação, isso explica porque o combustível nacional não tem influência sobre o preço ou a produção de soja. "O aumento do preço das commodities alimentares está ligado ao aumento do preço do petróleo, que tem influenciado os custos de produção. Isso está muito claro", salientou. Hoje, o País produz cerca de 6 milhões de toneladas de óleo de soja. Pouco mais de 13% desse óleo é usado para produção de biodiesel. Essa proporção tende a crescer nos próximos meses, quando o percentual de biodiesel no diesel tradicional subirá de 2% para 3%. Até o final desse ano, o Brasil deve produzir aproximadamente 1,3 bilhão de litros de biodiesel. Novas fontes Segundo o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Frederico Durães, a empresa está investindo em pesquisas para oferecer culturas de oleaginosas resistentes aos efeitos climáticos para diversificar as fontes de produção de biodiesel. Mas isso levará alguns anos. "Estamos trabalhando em mais de 20 espécies de oleaginosas para que nos próximos de anos tenhamos um novo arranjo dessa cadeia produtiva de biodiesel", comentou. Campos diz que é grande a expectativa de crescimento das lavouras de girassol e mamona no Brasil. "A estimativa de crescimento da produção da mamona é de 39% e de girassol de 21% para a próxima safra. Enquanto a expectativa de crescimento da produção de soja é de 2,6%".
(Fonte: O Terra)

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