Em Sumaré, região metropolitana de Campinas, bloquear o avanço do mosquito da dengue pode resultar em prêmios de R$ 500 a R$ 1 mil para os moradores com uma espécie de loteria de combate ao Aedes aegypti. O programa "Casa sem Dengue" começou em janeiro e, segundo o prefeito José Antonio Bacchin, já reduziu criadouros do mosquito e os casos da doença na cidade.
No ano passado, a cidade viveu uma epidemia com 3.898 casos. Além disso, mil casos suspeitos da doença em 2007 ainda não foram analisados, por isso, o número de infectados pode ser até maior. Já no primeiro trimestre deste ano, a cidade registrou 38 pessoas infectadas com a doença.
O sorteio da loteria contra a dengue acontece todo mês pelo número do código do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Cinco moradores são escolhidos. Cada sorteado vai receber uma visita de agentes da Secretaria da Saúde, bem como seus vizinhos da esquerda e da direita. O morador leva R$ 1 mil e cada vizinho, R$ 500, se todos eles tiverem com as casas bem limpas, com áreas internas e externas livres de possíveis criadouros do mosquido, sem lixo e planta que acumule água e caixa d'água tampada.
Se em apenas uma das casas houver larvas ou condições para proliferação do mosquito, nenhum dos moradores leva o prêmio, que fica acumulado para o próximo sorteio. São destinados para cada edição R$ 10 mil para os cinco imovéis e seus respectivos vizinhos.
Não foram pagos três prêmios porque as moradias não apresentavam as condições adequadas para evitar a proliferação do mosquito. O Coordenador de Combate a Dengue em Sumaré, Sergio Rumin, disse que no início a população não acreditava na promoção.
"Teve morador que deixou de ganhar o prêmio e de beneficiar os vizinhos. Um senhor foi sorteado e não levou os R$ 1 mil porque encontramos larvas do mosquito no seu quintal", afirmou. Rumin disse que para combater a proliferação do mosquito todos os esforços são necessários "nem que seja pela força de uma loteria".
A dona de casa Silvia Helena Ricardo, 32 anos, ganhou em abril R$ 1 mil e usou o dinheiro para pagar contas. A residência fica na rua Adriano dos Santos Dias, no Parque Pavan, um bairro novo com centenas de casas em construção.
"Eu nem acreditei quando tocaram aqui", disse a moradora, casada e mãe de quatro filhos. Segundo ela, o cuidado com a limpeza do imóvel não é em função da loteria da dengue. "Eu limpo a vasilha da água do cachorro todos os dias. É cuidado com o animal e com a gente também".
A vizinha que mora na casa à direita da de Silvia, Creimary Aparecida de Lima, levou R$ 500 e considera a loteria da dengue um grande incentivo. "Se todos contribuíssem de verdade, acho que terminava esse negócio de dengue", disse. O prêmio, que chegou de surpresa, ajudou nas despesas da construção da casa.
"Esse dinheirinho caiu do céu", afirmou Jorge Ezidro, o outro vizinho de Sílvia. "Faz pouco tempo que sai do aluguel e, além da sorte de ganhar esse prêmio que chegou de repente, por aqui não tem nenhum pernilongo".
(Fonte: O Terra)


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