Forragens que levam a menos emissão de metano e substâncias inibidoras da nitrificação do solo figuram entre as soluções buscadas pelo setor agropecuário para reduzir sua contribuição para a mudança climática.Montevidéu, 28 de julho (Terramérica) - Um simples copo de leite na mesa do café da manhã pode representar um grande custo ambiental para o planeta. Por isso, produtores e cientistas buscam reduzir o impacto da agropecuária, responsável por 12% a 14% das emissões mundiais de gases que aquecem a atmosfera. Já há pesquisas para medir o custo climático desse copo de leite, ou da produção geral de leite de um país, desde a cria até à mesa. As emissões do setor agropecuário cresceram quase 17% entre 1990 e 2005 em todo o mundo, e o maior aumento foi no Sul em desenvolvimento (32%).A fermentação intestinal do gado ruminante libera na atmosfera metano e óxido nitroso, dois potentes gases causadores do efeito estufa, também gerados pelo esterco e pela urina dos animais, pela queima de biomassa vegetal, pelo cultivo de arroz e por processos biológicos e químicos nos solos agrícolas. Ambos gases representam 70% da poluição que leva à mudança climática procedente da agricultura. O metano e o óxido nitroso possuem, respectivamente, 21 e 300 vezes mais efeito estufa do que o dióxido de carbono, principal gás vinculado à mudança climática, liberado principalmente pelo transporte, indústria e produção de energia.Enquanto os países buscam formas de produzir mais alimentos e superar a atual carestia, especialistas da rede Learn (Rede de Pesquisa para a Redução das Emissões Pecuárias) estudam como reduzir as emissões do setor sem ameaçar sua produtividade. Disso falaram os funcionários e pesquisadores reunidos no Uruguai, entre 21 e 24 deste mês, no painel internacional Emissões Agrícolas de Gases com Efeito Estufa, organizado pela Learn. O Terramérica foi o único meio de imprensa presente no segmento técnico desse encontro.No Uruguai, a agropecuária gera 91% das emissões nacionais de metano, e na Argentina é responsável por 44% da produção de gases causadores do efeito estufa. Com se trata de um setor muito sensível para países agropecuários como o Uruguai, a redução de gases deve garantir que o pastoreio tenha um "caráter natural", disse ao Terramérica o coordenador da Unidade de Mudança Climática do Uruguai, Luis Santos. Uma opção é modificar a dieta dos animais, substituindo forragens por variedades que levem a gerar menos emissão de metano, afirmou.Os sistemas pastoris ocupam entre 26% e 40% do total de terras produtivas do planeta. E a pecuária emite 37% do metano e 65% do óxido nitroso gerados por atividades humanas. A grande maioria destes gases provém dos sistemas de pastoreio da América Latina e Ásia. "A concentração atmosférica de óxido nitroso continua aumentando em 0,26% ao ano. No plano global, o volume de óxido nitroso está dominado pelas fontes agrícolas. É preciso conseguir uma redução urgente destas emissões", afirmou o cientista neozelandês Tim Clough."As fontes predominantes de óxido nitroso nas pastagens incluem os excrementos dos animais e os fertilizantes nitrogenados. O óxido nitroso é produzido nos solos por processos microbianos como a nitrificação" (conversão de amônia em nitrato), acrescentou Clough, do Grupo de Ciências Físicas e de Solos da Universidade de Lincoln, na Nova Zelândia. Clough sugeriu, como já se aplica em seu país, a utilização de inibidores da nitrificação, substâncias químicas acrescentadas a fertilizantes nitrogenados (minerais ou orgânicos) ou aplicadas diretamente no solo, que inibem as bactérias, causadoras parciais deste processo microbiológico, e o tornam mais lento.A Learn foi criada no ano passado na Nova Zelândia e é integrada por representantes da política, ciência e indústria de aproximadamente 40 paises, incluindo os grandes produtores agropecuários, como Brasil, Estados Unidos, Austrália, Índia, China e Argentina. Seu propósito é definir métodos de medição, verificação, comunicação e mitigação dos gases causadores do efeito estufa do setor pastoril. "O primeiro objetivo é, no contexto da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, determinar os fatores de emissão para poder realizar um inventário dos gases causadores do efeito estufa liberados pelo setor", explicou Santos."Os países do Sul, segundo a Convenção, devem tomar medidas mas não estão obrigados, como os industrializados, a reduzir suas emissões. Por isso, nesta reunião queremos saber quanto emitem e como vão minimizar as emissões os países a isso obrigados, como a Nova Zelândia", que tem uma dependência econômica do setor pecuário semelhante à do Uruguai, acrescentou o especialista uruguaio.Neste caminho, uma pesquisa neozelandesa apresentada neste encontro mostrou os procedimentos para seguir a pista dos gases causadores do efeito estufa do setor agropecuário. Desde a produção de leite, por exemplo, que inclui as emissões próprias do gado, até sua industrialização e transporte, que têm suas próprias contribuições de dióxido de carbono.domingo, 10 de agosto de 2008
O custo climático de um copo de leite
Forragens que levam a menos emissão de metano e substâncias inibidoras da nitrificação do solo figuram entre as soluções buscadas pelo setor agropecuário para reduzir sua contribuição para a mudança climática.Montevidéu, 28 de julho (Terramérica) - Um simples copo de leite na mesa do café da manhã pode representar um grande custo ambiental para o planeta. Por isso, produtores e cientistas buscam reduzir o impacto da agropecuária, responsável por 12% a 14% das emissões mundiais de gases que aquecem a atmosfera. Já há pesquisas para medir o custo climático desse copo de leite, ou da produção geral de leite de um país, desde a cria até à mesa. As emissões do setor agropecuário cresceram quase 17% entre 1990 e 2005 em todo o mundo, e o maior aumento foi no Sul em desenvolvimento (32%).A fermentação intestinal do gado ruminante libera na atmosfera metano e óxido nitroso, dois potentes gases causadores do efeito estufa, também gerados pelo esterco e pela urina dos animais, pela queima de biomassa vegetal, pelo cultivo de arroz e por processos biológicos e químicos nos solos agrícolas. Ambos gases representam 70% da poluição que leva à mudança climática procedente da agricultura. O metano e o óxido nitroso possuem, respectivamente, 21 e 300 vezes mais efeito estufa do que o dióxido de carbono, principal gás vinculado à mudança climática, liberado principalmente pelo transporte, indústria e produção de energia.Enquanto os países buscam formas de produzir mais alimentos e superar a atual carestia, especialistas da rede Learn (Rede de Pesquisa para a Redução das Emissões Pecuárias) estudam como reduzir as emissões do setor sem ameaçar sua produtividade. Disso falaram os funcionários e pesquisadores reunidos no Uruguai, entre 21 e 24 deste mês, no painel internacional Emissões Agrícolas de Gases com Efeito Estufa, organizado pela Learn. O Terramérica foi o único meio de imprensa presente no segmento técnico desse encontro.No Uruguai, a agropecuária gera 91% das emissões nacionais de metano, e na Argentina é responsável por 44% da produção de gases causadores do efeito estufa. Com se trata de um setor muito sensível para países agropecuários como o Uruguai, a redução de gases deve garantir que o pastoreio tenha um "caráter natural", disse ao Terramérica o coordenador da Unidade de Mudança Climática do Uruguai, Luis Santos. Uma opção é modificar a dieta dos animais, substituindo forragens por variedades que levem a gerar menos emissão de metano, afirmou.Os sistemas pastoris ocupam entre 26% e 40% do total de terras produtivas do planeta. E a pecuária emite 37% do metano e 65% do óxido nitroso gerados por atividades humanas. A grande maioria destes gases provém dos sistemas de pastoreio da América Latina e Ásia. "A concentração atmosférica de óxido nitroso continua aumentando em 0,26% ao ano. No plano global, o volume de óxido nitroso está dominado pelas fontes agrícolas. É preciso conseguir uma redução urgente destas emissões", afirmou o cientista neozelandês Tim Clough."As fontes predominantes de óxido nitroso nas pastagens incluem os excrementos dos animais e os fertilizantes nitrogenados. O óxido nitroso é produzido nos solos por processos microbianos como a nitrificação" (conversão de amônia em nitrato), acrescentou Clough, do Grupo de Ciências Físicas e de Solos da Universidade de Lincoln, na Nova Zelândia. Clough sugeriu, como já se aplica em seu país, a utilização de inibidores da nitrificação, substâncias químicas acrescentadas a fertilizantes nitrogenados (minerais ou orgânicos) ou aplicadas diretamente no solo, que inibem as bactérias, causadoras parciais deste processo microbiológico, e o tornam mais lento.A Learn foi criada no ano passado na Nova Zelândia e é integrada por representantes da política, ciência e indústria de aproximadamente 40 paises, incluindo os grandes produtores agropecuários, como Brasil, Estados Unidos, Austrália, Índia, China e Argentina. Seu propósito é definir métodos de medição, verificação, comunicação e mitigação dos gases causadores do efeito estufa do setor pastoril. "O primeiro objetivo é, no contexto da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, determinar os fatores de emissão para poder realizar um inventário dos gases causadores do efeito estufa liberados pelo setor", explicou Santos."Os países do Sul, segundo a Convenção, devem tomar medidas mas não estão obrigados, como os industrializados, a reduzir suas emissões. Por isso, nesta reunião queremos saber quanto emitem e como vão minimizar as emissões os países a isso obrigados, como a Nova Zelândia", que tem uma dependência econômica do setor pecuário semelhante à do Uruguai, acrescentou o especialista uruguaio.Neste caminho, uma pesquisa neozelandesa apresentada neste encontro mostrou os procedimentos para seguir a pista dos gases causadores do efeito estufa do setor agropecuário. Desde a produção de leite, por exemplo, que inclui as emissões próprias do gado, até sua industrialização e transporte, que têm suas próprias contribuições de dióxido de carbono.Florestas intocadas armazenam três vezes mais carbono
A proteção das florestas é cada vez mais vista como uma atitude essencial para combater as mudanças climáticas. O governo brasileiro assinou na última semana um decreto que cria um fundo para preservação da Amazônia. Outros países e instituições assumem posturas semelhantes, uma vez que o desmatamento é apontado como uma das principais fontes de emissões de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera. A importância dessas iniciativas é reforçada por um estudo australiano que comprova que a capacidade de florestas intactas em armazenar carbono é três vezes maior do que o previsto até então. Elas também são 60% mais eficientes nesse sentido do que as florestas plantadas.Cientistas da Universidade Nacional da Austrália, que publicaram um relatório sobre o tema nesta terça-feira, dizem que o papel das florestas selvagens, assim como o da biomassa de carbono verde pertencente a elas, foi subestimado na luta contra o aquecimento global. “Na Austrália e, provavelmente em todo o mundo, a capacidade de armazenamento das florestas naturais foi subestimado e consequentemente deturpado em avaliações econômicas e opções políticas”, afirmam.O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e o Protocolo de Quioto não fazem distinção entre a capacidade de carbono de florestas plantadas e das intocadas. As florestas ainda intactas podem carregar três vezes mais carbono do que o calculado atualmente, caso o estoque de carbono da biomassa seja incluído nas medições. Atualmente, a habilidade de armazenamento de carbono é baseada em estimativas de florestas plantadas.O relatório “Carbono Verde, o papel das florestas naturais para o estoque de carbono” informa que a falta de diferenciação na definição de floresta também subestima o acúmulo de carbono em florestas adultas. O IPCC define como floresta árvores acima de 2 metros de altura e com copas maiores de 10%; mas, na Austrália, florestas foram definidas por árvores com mais de 10 metros de altura e copa superior a 30%.O estudo avalia que as florestas preservadas do sudeste da Austrália podem abrigar cerca de 640 toneladas de carbono por hectare – enquanto a estimativa do IPCC é de 217 toneladas. Os cientistas também calculam que cerca de 9,3 bilhões de toneladas de carbono podem ser estocadas nos 14,5 milhões de hectares de florestas de eucalipto no sudeste australiano, se não ocorrer intervenção humana. O IPCC estima apenas um terço desta capacidade e somente 27% do estoque de carbono de biomassa das florestas.Mais flexívelPor permanecerem intocadas, as florestas naturais, além de armazenarem mais carbono, são capazes de o estocarem por mais tempo do que as plantadas, rotineiramente cortadas para uso comercial.O co-autor do relatório, Brendan Mackey, entende que preservar as florestas selvagens serve a dois propósitos: manter uma grande absorção de carbono e interromper a liberação de carbono armazenado nas florestas.A quantidade de carbono abrigado em biomassa e solo no mundo é aproximadamente três vezes maior do que na atmosfera, explica o documento. Cerca de 35% dos gases do efeito estufa presentes no ar é resultante de desmatamentos passados e 18% das emissões anuais vêm de desflorestamento continuado.O relatório diz que o corte de árvores é responsável por mais de 40% da redução de carbono de longo prazo, em comparação com florestas preservadas. “A maioria do carbono de biomassa nas florestas naturais reside na biomassa da madeira de grandes árvores adultas. A exploração comercial modifica a estrutura etária das florestas e faz com que a média de idade das árvores seja muito jovem”, acrescenta o documento.Mackey acredita que os sistemas de negociação de emissões não deveriam favorecer florestas plantadas para a compensação de carbono, já que elas não fazem um balanço entre a perda de florestas naturais e a liberação de carbono. “Nós precisamos ter certeza de que os esquemas de comércio de emissões não levam a resultados perversos”, adverte. A Austrália deverá introduzir o sistema próprio de negociação de emissões em 2010, mas a agricultura não estará incluída no projeto.Os cientistas afirmam que prevenir desmatamentos futuros das florestas de eucaliptos no sudeste da Austrália será equivalente a evitar emissão de 460 milhões de toneladas de CO2 por ano no próximos 100 anos. E permitir que florestas cortadas cresçam novamente até atingir a capacidade natural de estocagem de carbono, evitará o equivalente a 136 milhões de toneladas de CO2 por ano nos próximos 100 anos – cerca de 25% do total de emissões australianas em 2005.
Boca-de-urna aponta permanência de Evo Morales na Presidência da Bolívia
O presidente Evo Morales foi ratificado no referendo sobre mandatos realizado neste domingo na Bolívia, segundo as enquetes divulgadas pela imprensa, que apontam o líder com um apoio de entre 56,7% e 60,1%.
As pesquisas mostram também que três governadores tiveram seus mandatos revogados neste domingo.
Confirmados estes resultados, Morales teria obtido, depois de dois anos e meio de gestão, um apoio superior ao que alcançou nas eleições presidenciais de 2005, quando foi eleito com 53,7% dos votos. O presidente boliviano precisa de 46,3% dos votos para se manter no cargo.
A pesquisa feita pelo canal ATB ratifica Morales com 56,7% dos votos a favor, a enquete da rede PAT aponta um respaldo de 60%, e dados recolhidos pela TV Unitel refletem que o líder obteve 60,1% de votos a favor
A enquete da PAT mostra que o "sim" para Morales e o vice-presidente, Álvaro García Linera, foi majoritário em cinco departamentos (Estados): Potosí (81%) e Oruro (83%), ambos controlados por governistas, e em La Paz (79%), Cochabamba (72%) e Pando (57%), governados pela oposição.
Os departamentos que votaram pela revogação de Evo Morales foram Santa Cruz onde 70% dos eleitores votaram contra, Beni (78%), Tarija (62%) e Chuquisaca (61%).
Estes quatro departamentos são comandados por governadores também opositores a Morales.
Os resultados oficiais e definitivos do referendo revogatório não serão divulgados em menos de sete dias, segundo informou a Corte Nacional Eleitoral (CNE), embora ainda esta noite possam ser tornados públicos dados parciais.
Os bolivianos foram às urnas para decidir, em um referendo inédito no país, a continuidade ou a revogação do presidente Morales, do vice-presidente e de oito dos nove governadores departamentais.
Governadores
Os governadores opositores dos departamentos de La Paz, José Luis Paredes, e de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, além do governista de Oruro, Alberto Aguilar, foram revogados no referendo, segundo as pesquisas.
Os números das redes de TV ATB e PAT afirmam que Paredes foi revogado com uma porcentagem entre 55% e 60%, enquanto Reyes Villa com entre 56,7% e 60%.
Contra o governador regional pró-Morales Alberto Aguilar teriam votado entre 56% e 58% dos eleitores, informou a imprensa.
Segundo esses dois boletins, foram ratificados em seus cargos o governador opositor de Santa Cruz, Rubén Costas, com um respaldo de entre 71,2% e 79%, e seu aliado em Beni, Ernesto Suárez, com um apoio de entre 67,5% e 72%.
Além disso, o governador de Tarija, Mario Cossío, também opositor, teria conseguido um apoio de cerca de 65%, e o de Pando, Leopoldo Fernández, de oposição a Morales, sairia ratificado com votos favoráveis próximos a 60%.
Segundo as pesquisas, o líder regional governista de Potosí, Mario Virreira, teria conseguido um apoio de entre 75,6% e 77%. ,
"Sucesso"
Mais cedo, Morales havia qualificado o referendo como um "sucesso". Ele também elogiou o comportamento dos cidadãos. Apenas incidentes isolados foram registrados ao longo do dia.
Nas próximas horas, Morales deve se reunir com seus ministros em La Paz para avaliar os resultados de acordo com pesquisas de boca de urna.
A votação foi concluída por volta de 16h na hora local (17h no horário de Brasília). A exceção é a localidade amazônica de Yucumo, no departamento de Beni, onde o pleito continuará até a noite porque começou mais tarde, informaram fontes da CNE (Corte Nacional Eleitoral).
A CNE divulgará os resultados oficiais e definitivos do referendo dentro de sete ou dez dias, embora ainda esta noite já possam ser apresentados alguns dados parciais.
O órgão instalou 22 mil mesas eleitorais em todo o país e designou 132 mil cidadãos como juízes e cinco mil como mesários. Cerca de 300 observadores internacionais da OEA (Organização dos Estados Americanos) e Mercosul acompanharam o referendo.
Em um sindicato na cidade de Cochabamba, Morales disse estar surpreendido com a "participação democrática do povo boliviano" depois que, segundo ele, houve alguns que tentaram "semear conflito".
"Foi visto um sentimento do povo boliviano rumo à democracia e um sentimento de aprofundar este processo de mudança. A partir deste momento o voto do povo boliviano não é somente para escolher, mas também para revogar as autoridades ", declarou Morales.
Vereadores detêm, juntos, bens no valor de R$ 33,8 mi em SP
Os 52 vereadores de São Paulo que disputam a reeleição neste ano têm patrimônio médio de R$ 650 mil. Juntos, possuem R$ 33,8 milhões em casas, participação em empresas, carros, jóias, informa reportagem publicada neste domingo na Folha (íntegra somente para assinantes do jornal ou do UOL).
O levantamento não inclui a vereadora Soninha Francine, que concorre à Prefeitura de São Paulo pelo PPS.
Segundo a reportagem de Rubens Valente e Fernando Barros de Mello, 25 vereadores tiveram aumento do patrimônio desde 2004, 18 disseram ter reduzido os bens e três ficaram estacionados --descontada a inflação do período. Outros dois parlamentares disseram que não tem nenhum bem.
Sobre outros sete a reportagem informa que não foi possível fazer uma comparação porque, em 2004, apenas listaram os bens sem atribuir valor.
Segundo levantamento feita pela ONG Transparência Brasil, parlamentares que disputam as eleições municipais deste ano enriqueceram, em média, 46,3% nos últimos dois anos.
O número é referente à média da evolução do patrimônio declarado por 180 vereadores de capitais que foram candidatos em 2006 e 255 deputados federais, senadores ou deputados estaduais que disputam os cargos de prefeito ou vice-prefeito.
Segundo o levantamento, dos 709 vereadores em exercício nas câmaras municipais das capitais, 663 disputam a reeleição ou concorrem ao cargo de prefeito ou vice-prefeito. O patrimônio médio declarado por esses parlamentares é de R$ 377 mil. Outros 277 parlamentares do Senado, da Câmara Federal ou das assembléias legislativas se candidataram a prefeito ou a vice-prefeito.
Para fazer o levantamento, a ONG usou as declarações de bens que os candidatos são obrigados a fornecer à Justiça Eleitoral. A Transparência Brasil comparou os declarações apresentadas nas eleições de 2006 com as deste ano.
Rússia ataca aeroporto internacional da capital da Geórgia
A Rússia bombardeou neste domingo o aeroporto internacional de Tbilisi, capital da Geórgia, horas antes do horário previsto de chegada do ministro do Exterior da França, Bernard Kouchner, informaram uma testemunha da Reuters e o ministro do Interior da Geórgia.
O aeroporto foi atingido a 200 metros da pista.
Os russos atacaram também um aeroporto militar e uma planta de construção de aeronaves na periferia da capital da Geórgia, acrescentou o ministro.
A ofensiva ocorreu horas após a Geórgia afirmar que havia deixado Tskhinvali, capital da região separatista da Ossétia do Sul, onde forças russas e georgianas se enfrentaram em duros combates nos últimos três dias.
Em Tskhinvali, cerca de 15 explosões de grande intensidade foram ouvidas neste domingo, segundo a equipe de televisão da Reuters.
A Geórgia anunciou neste domingo que havia interrompido os ataques e pediu negociações com a Rússia para um cessar-fogo completo e para "o fim das hostilidades".Exigência russaO presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, disse neste domingo que a Geórgia deve retirar incondicionalmente suas forças da zona de conflito na região separatista da Ossétia do Sul, informaram agências russas de notícias.
De acordo com as agências, Medvedev disse ao presidente francês Nicolas Sarkozy pelo telefone que Tbilisi também deve assinar imediatamente um compromisso formal de não atacar a Ossétia do Sul.
Mais cedo, a Geórgia anunciou a interrupção das atividades militares na zona do conflito, e disse estar buscando negociações para um acordo formal de cessar-fogo com a Rússia.ConflitoA Rússia invadiu com tropas e tanques a pequena Geórgia após a tentativa de Tbilisi na quinta-feira à noite de retomar a Ossétia do Sul, uma pequena província pró-Rússia que se separou da Geórgia nos anos 90.A crise, que se agravou rapidamente, alarmou os Estados Unidos, o principal aliado da Geórgia, e gerou tensões entre os investidores na Rússia, que venderam ações e dinheiro na sexta-feira temendo que o conflito se intensificasse.
As autoridades russas disseram que o número de mortos no combates que começaram na quinta-feira chega a 2.000. A Geórgia disse na sexta-feira haver até 300 pessoas mortas, a maioria civis.EUAA Casa Branca lamentou a ação militar russa, que incluiu bombardeios em pelo menos três alvos na Geórgia fora de Ossétia do Sul.James Jeffrey, assessor para assuntos de segurança nacional do presidente George W. Bush, disse em Pequim - onde o presidente participava da abertura das Olimpíadas - que as ações de Moscou podem ter um "impacto significativo de longo prazo" nas relações.
Após conflito na Ossétia do Sul, tropas da Geórgia deixam o Iraque
O Exército dos Estados Unidos começou neste domingo (10) a transportar 2.000 soldados da Geórgia do Iraque, depois que os georgeanos pediram o retorno das tropas em razão dos conflitos com a Rússia na Ossétia do Sul. Entenda as causas do conflito.
A Geórgia era o terceiro maior fornecedor de soldados para a coalização no Iraque, depois de Estados Unidos e Reino Unido --a maior parte do contingente georgiano ficava em Camp Delta, em Kut, a 160 km ao sul de Bagdá.
Os Estados Unidos afirmam a saída das tropas da Geórgia pode gerar "algum impacto" no curto-prazo, mas descartaram problemas para a segurança no Iraque no futuro. "Nós queremos agradecer a eles por esse ótimo apóio que eles deram para a coalizão e nós desejamos sorte a eles", afirmou o porta-voz Patrick Driscoll.
O Ministério de Assuntos Exteriores da Geórgia entregou neste domingo à Embaixada da Rússia uma nota na qual anuncia o fim, a partir de hoje, das operações militares, mas Moscou não está convencido disso e afirma que essas prosseguem na região.
"A Geórgia está disposta a iniciar imediatamente negociações com a Federação da Rússia sobre o cessar-fogo e o fim das operações militares", indica o documento. Quase que imediatamente a diplomacia russa negou o ter recebido o documento "por canais oficiais".
Bombardeios
Tropas da Rússia tomaram a maior parte da capital da Ossétia do Sul hoje. O país intensificou seu bombardeio contra as regiões separatistas e navios de guerra impuseram um bloqueio naval para impedir a entrada de armas e de outros meios militares na Geórgia durante o conflito.
A situação parece repetir a proposta de cessar-fogo imediato feita ontem por Saakashvili várias vezes e sobre a qual repercutiram todos os canais de televisão e agências locais e internacionais, mas que nem a presidência nem os Ministérios de Exteriores e da Defesa da Rússia chegaram a receber 'por canais oficiais'.
Retorno
Na manhã deste domingo, as tropas georgianas abandonaram Tskhinvali, a capital da Ossétia do Sul --que tinham conquistado e retido durante mais de um dia--, frente aos ataques de forças russas.
Segundo fontes oficiais da Geórgia, aviões russos bombardearam nesta madrugada um aeroporto militar da fábrica de aviação, situada na capital georgiana, sem que deixasse vítimas. É a primeira vez que a aviação russa ataca Tbilisi.
O porta-voz do Ministério do Interior, Shota Utiashvili, afirmou que nos ataques não foram registradas vítimas, embora o aeroporto tenha sofrido graves danos.
Mas a Rússia negou ter bombardeado o aeroporto, segundo a agência Interfax, citando o ministério russo da Defesa. "Trata-se de mais uma desinformação divulgada pela Geórgia para enganar a comunidade internacional sobre os acontecimentos em curso na Ossétia do Sul", disse um funcionário do ministério da Defesa russo.
O presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, declarou em discurso na televisão que a própria existência da Geórgia está ameaçada pelo conflito com a Rússia. "Todos estes bombardeios estão destinados a provocar o pânico", acrescentou.
Ataques
"Durante a noite, a Rússia transferiu [para a Ossétia do Sul] dezenas de carros de combate, artilharia e até foguetes táticos, e grande quantidade de infantaria", afirmou o chefe do Conselho de Segurança da Geórgia, Alexander Lomaia,. Enquanto isso, a aviação russa bombardeava as posições georgianas na capital.
Em uma mostra de alastro do conflito, o líder da Abkhazia, outra região separatista da Geórgia, disse neste domingo ter ordenado que mil soldados expulsassem forças georgeanas de seu território e convocou reservistas.
Para aproveitar a situação, as tropas da Abkházia, apoiadas por terra, céu e mar pelas forças russas, tentam conquistar o desfiladeiro de Kodori, uma área habitada por georgianos que ocupa 15% do território da região.
O governo da Geórgia rapidamente denunciou uma "nova agressão" preparada por Moscou na Abkhazia. Na outra fronteira comum, ao longo do rio Inguri, as tropas da Abkházia entraram na área de segurança, controlada pelos capacetes azuis russos.
ONU
O Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje, pela quarta vez em três dias, em Nova York, para discutir a crise russo-georgiana. Por falta de consenso, o Conselho de Segurança não conseguiu emitir uma declaração conjunta pelo cessar-fogo na Geórgia neste sábado e alertou sobre a extensão do conflito para fora da região separatista da Ossétia do Sul.
"Infelizmente, minha conclusão é que será muito difícil, se não impossível, encontrar pontos de coincidência suficientes para elaborar uma declaração conjunta", explicou após a reunião o embaixador belga Jan Grauls, que ocupa a Presidência rotativa do Conselho de Segurança.
Considerada uma importante rota de transporte de petróleo e gás natural na fronteira russa, a Ossétia do Sul autoproclamou independência da Geórgia em 1992, após a queda da União Soviética. O território conta com o apoio de Moscou para a separação --inclusive por abrigar muitos cidadãos russos--, mas a Geórgia não reconhece a independência.
Rússia diz ter afundado lancha lançadora de mísseis da Geórgia
A Rússia diz ter afundado neste domingo uma lancha lançadora de mísseis da Geórgia --o barco teria tentado atacar um dos navios russos. Caso confirmado, o episódio pode marcar uma séria escalada da violência entre Rússia e Geórgia, em conflitos na Ossétia do Sul.
O Ministério de Assuntos Exteriores da Geórgia entregou hoje à Embaixada da Rússia uma nota na qual anuncia o fim, a partir de hoje, das operações militares, mas Moscou não está convencido disso e afirma que essas prosseguem na região. Entenda as causas do conflito.
"As lanchas de mísseis georgianas em duas ocasiões tentaram atacar os navios de guerra russos", explicou à agência oficial russa Itar-Tass um porta-voz oficial da Marinha da Rússia.
Os navios russos responderam abrindo fogo e como resultado "uma das lanchas que atacavam foi afundada", afirmou. Não há informações sobre vítimas ou o local exato do confronto.
O subchefe do Estado-Maior da Rússia, general Anatoli Nagovitsin, havia afirmado neste domingo que a frota não participa das hostilidades e também não mantém um bloqueio naval à Geórgia.
Para a parte georgiana, no entanto, a mera presença de navios russos frente às costas da separatista Abkházia já é uma violação de suas águas territoriais no Mar Negro.
Dois dos navios russos que haviam sido enviados a águas territoriais da Geórgia voltaram à Rússia neste domingo e ancoraram no porto de Novorosisk, segundo o governo russo. A Ucrânia havia ameaçado proibir a volta dos navios da frota russa envolvidos no conflito pelo mar Negro.
Tropas da Rússia tomaram a maior parte da capital da Ossétia do Sul hoje. O país intensificou seu bombardeio contra as regiões separatistas e navios de guerra impuseram um bloqueio naval para impedir a entrada de armas e de outros meios militares na Geórgia durante o conflito.
A situação parece repetir a proposta de cessar-fogo imediato feita ontem por Saakashvili várias vezes e sobre a qual repercutiram todos os canais de televisão e agências locais e internacionais, mas que nem a presidência nem os Ministérios de Exteriores e da Defesa da Rússia chegaram a receber "por canais oficiais".
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